Foto: LFGonçalves
Por instinto ele atravessa o caminho, uma luz forte paralisa o pobre animal. O som macabro entoa no ar, restam-se os restos espalhados no chão cinzento.
É o fim dos animais que atravessam o caminho que era deles. O homem criou a estrada, inventou a roda, fez o carro e nasceu o motorista.
Ao passarmos pelas estradas brasileiras, somos surpreendidos em todo momento com cadáveres de tamanduás Bandeiras, tamanduás Mirins, onças, lagartos e farta gama da fauna achatada no longo caminho que corta o caminho. Carlos Drumond “o poeta”, já dizia: “No caminho tinha uma pedra”, mas na rodovia há um bicho morto ou prestes a morrer. A velocidade é o poder de quem tem poder. Os possantes automóveis deslizam na estrada e tropeçam no pobre animal que inocentemente não se modernizou, não melhorou o seu modo de vida, não criou asas, mas, mesmo tendo asas, carcarás e urubus, vez em quando, são atropelados sem chance de usar seus órgãos alados. A velocidade do carro não lhe dá chance. Não nos resta o que fazer. Não temos a faculdade do poder de convencimento de mudar consciências, mudar o modo de dirigir, o mundo não pode voltar atrás! A velocidade é crescente, os pardais tomam conta das estradas, mas até os pardais são atropelados. O homem despercebido é atropelado, faz-se passarelas, faixas pintadas no chão, o tempo da parada remete o carro a sair mais rápido para compensar o momento parado.
Se há solução não sei, mas a única certeza é a extinção dos tamanduás e toda cadeia do ecossistema. Ficará apenas o homem a ser atropelado.
Dougraça.













